A palavra como mediadora no abismo das individualidades

fofoca

Muito ouvimos sobre o mundo individualista em que vivemos Ainda assim, muito sabemos sobre a importância do respeito às individualidades, questões  estas, que conflituam nos cenários da vida social em que estamos inseridos.

A partir de uma prática que perpassa por diferentes tempos e contextos permito-me trazer uma reflexão, que me parece importante compartilhar aqui.

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Entendemos, e ao entender, não deixamos de nos tornar integrantes desta produção em massa: Cada vez mais cada membro da família adquire o seu carro, o seu celular, o seu computador, cada aluno tem o seu livro, cada filho tem o seu quarto… o Seu, o Seu, o Seu… reforçamos, por uma lógica cultural e consumista o viver solitário e individual.

Eis que… a vida humana necessita ser vivida e reinventada a cada momento num enlace com o social. Não nos é permitido, por exemplo, resolver e mediar conflitos sozinhos. Desde muito pequenos, ou tardiamente ao entrarmos na escola, nos deparamos com impossibilidades: do viver e do conviver. Neste sentido, tenho percebido a fragilidade que encontra-se nosso maior tesouro: a Palavra.

A palavra como mediadora na diferença dos mundos, a palavra que aproxima as singularidades, a palavra que conforta, a palavra que aposta, a palavra que aposta no viver em sociedade.

A nossa palavra anda muito frágil! Os ventos  por vezes, a tomam e a levam entre os vendavais dos conflitos. Precisamos resgatar a palavra, apostando no seu potencial imensurável, onde dois mundos tão diferentes permitem-se escutar, permitem-se frustrar-se pela não linearidade e afinidade, a palavra que apresenta a possibilidade de ser e de viver os limites do humano, seus defeitos e medos, de forma singular, mas na costura da vida coletiva.

Fazer a palavra circular tem sido um árduo exercício na atualidade. Por vezes, ela está imbricada numa relação vertical  trazendo poucas contribuições e não tornando possível a criação do SER.. criança, adolescente, pai, mãe, profissional…

Respeitar a singularidade sem excluir! Entendo ser um desafio desta geração em especial, a tentativa de aproximação do abismo das individualidades. A palavra como forma de acolhimento das fragilidades humanas…

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Por Vanessa Vauchinski | CRP 07/17978
(Maio/2018)

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